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Entre experiência e irreverência: o PSG feminino explicado por Elisa e Noémie

- Estamos na reta final da época, como é que se sentem?

Noémie Fatier: Por mim está tudo bem. Acho que, coletivamente, até dentro da equipa, estamos bem, e até a nível pessoal sinto que estamos bem. Claro que há algum cansaço devido aos jogos que já passaram, mas tirando isso, está tudo bem.

Elisa De Almeida: Por mim também está tudo bem, mas individualmente sinto-me cansada. Acho que a época foi longa, tanto física como mentalmente. Agora, é mesmo a reta final. São os jogos mais importantes, o que traz algum entusiasmo porque há finais para disputar, por isso acaba por dar um ânimo extra. Mas, no geral: cansada.

- Como correu a sua primeira época como profissional, Noémie? Foi uma temporada em que vocês, as mais jovens, ganharam bastante espaço? E você, Elisa, como foi para si ter tantas jovens à sua volta?

Noémie Fatier: Para mim, foi uma época de adaptação. Continuar a ter aulas enquanto se está com as profissionais exige mais organização, temos menos tempo. Mas acho que o treinador nos integrou bastante, sempre que havia oportunidade de nos pôr a jogar. E para mim, correu bem, tive bastante tempo de jogo. A integração com as colegas correu bem. Nota-se a experiência delas em relação ao grupo sub-19, é diferente e é sempre bom aprender. Estou contente com esta época.

Elisa De Almeida: É verdade que foi tudo novo. No início, até nos sentimos um pouco mais velhas! Mas, na verdade, é positivo. Traz frescura ao grupo. E como são jovens, correm por todo o lado nos treinos. Damo-nos bem, trazem boa disposição, criam ambiente, dão aquele toque de leveza. Faz bem ao grupo. E também foi bom termos jogado em várias competições, para haver alguma rotação e dar-lhes experiência no futebol profissional. E, além disso, todas aproveitaram bem as oportunidades, respeitaram as indicações do treinador e as nossas também, por isso foi positivo.

- Como é, no dia a dia, jogarem juntas na defesa?

Elisa De Almeida: Na verdade, é ótimo. Rimo-nos bastante. Hoje de manhã até estivemos na mesma equipa. Correu bem. Entendemo-nos bem dentro de campo, não há nada a apontar.

- Como é a vossa relação? Noémie, costuma pedir muitos conselhos à Elisa, ou é você, Elisa, que dá dicas naturalmente?

Noémie Fatier: Acho que acontece de forma natural. Não é que vá pedir-lhe conselhos sobre algo específico, mas, por exemplo, se sei que fiz algo menos bem e ela pode corrigir-me pela experiência que tem, fá-lo. E eu vejo isso de forma positiva, porque tudo o que elas me dão é uma mais-valia.

Elisa De Almeida: Sim, é verdade. Nós podemos dar-lhes conselhos, mas elas também nos podem ensinar. Temos a experiência, mas elas têm aquela leveza que já não temos tanto nesta idade. Acho que podemos aprender umas com as outras. Tentamos sempre ajudá-las, principalmente na integração. Elas ainda jogaram nos sub-19, por isso é importante integrá-las o melhor possível nas profissionais para que o talento delas beneficie o coletivo.

- Como é, no dia a dia, ter um grupo tão jovem? A Elisa já conheceu um PSG com muito menos jovens no plantel...

Elisa De Almeida: É verdade, é uma grande diferença em relação ao PSG de outros anos, não tinha nada a ver. Eu era das mais novas, por isso é estranho estar agora do outro lado. Mas acho que faz parte de um projeto. Ou se acredita ou não, mas penso que é uma aposta para o futuro. Não me incomoda, principalmente quando se vê o potencial que elas têm. Sinto-me bem.

Noémie Fatier: Integraram-nos muito bem. Como ela disse, também temos a nossa parte nisso. Rimo-nos sempre, mesmo quando é preciso estar mais concentradas. Mas a integração foi bem feita. Toda a gente fala com toda a gente, não há divisão entre jovens e menos jovens. Acho que o grupo está unido, sejam as mais novas ou todas as outras.

Elogios ao treinador e perda de pontos: "Foi escandaloso"

- O facto de terem o Paulo César como treinador, que vos conhece bem das sub-19, ajudou a criar esta mistura?

Noémie Fatier: O facto de ele ter subido connosco é uma vantagem, porque já nos conhecia. Facilitou a nossa integração, ele sabe como somos. Mas também deixou claro que demos um passo em frente e que agora é diferente. Mas não é por gostar de nós que nos vai facilitar a vida. Vai ser o que fizermos em campo que conta.

Elisa De Almeida: Já o víamos, cruzávamo-nos com ele no Campus. E já tínhamos estado com ele um mês na época passada, no final, nos play-offs, por isso já estávamos habituadas, já o conhecíamos. Ele também já nos conhecia. E isso também serve de ponte para as jovens que ele já conhecia, por isso é benéfico para todas. É alguém que traz boa disposição, por isso aproveitamos.

- Seja o Paulo César ou todas estas jovens que chegaram ao grupo, sente-se mesmo um aumento de boa disposição. Também se vêem muitos TikToks...

Elisa De Almeida: Sim, na verdade o TikTok é de toda a gente: mas acho que a campeã é mesmo a nossa guarda-redes. Mas sim, cria um bom ambiente no balneário. E acho que o que nos uniu ainda mais foi a história dos pontos que perdemos. Foi um choque para todas. Inconscientemente, todas percebemos que, se não estivéssemos unidas desde janeiro, não íamos conseguir. No fim, apoiámo-nos umas às outras e chegámos onde estamos hoje. Por isso, acho que foi mesmo isso que nos aproximou. Mentalmente, todas sentimos o mesmo. E tentamos manter-nos positivas apesar de tudo.

- Nestas situações difíceis, como é que vocês, as mais experientes, ajudam as mais novas?

Elisa De Almeida: Na verdade, não lhes dizemos grande coisa, acho que acontece naturalmente. Elas sabem, tal como nós, não vou usar a palavra, mas a injustiça que houve nesta situação. Para mim, foi um pouco escandaloso. Mas acho que, tendo um mínimo de orgulho, um mínimo de... Quando se é desportista de alto nível, não se gosta de perder. E aqui, ainda por cima, perdemos fora do campo, o que é ainda pior. Mas não é preciso dizer-lhes que têm de lutar para recuperar os pontos. Elas fazem-no por iniciativa própria. E foi isso que nos uniu desde janeiro.

- Noémie, chegou ao PSG com seis anos. Agora foi a sua primeira época nos profissionais. Como viveu isso? Imagino que seja especial vestir a camisola das A.

Noémie Fatier: Fiquei muito feliz. Sempre quis chegar aqui desde que entrei no PSG. Mas sabia que não ia entrar logo em campo, tinha de aprender com quem joga na minha posição, como a Elisa, para melhorar e, aos poucos, integrar-me no futebol profissional, conquistar o meu espaço e poder jogar ainda mais.

- Sente que, depois de passar por todas as etapas da formação, tem um pouco o ADN do PSG?

Noémie Fatier: Sim, vivo o PSG, sem dúvida. E em relação à história dos pontos, sou PSG a cem por cento. E o facto de isto acontecer agora, estando eu no grupo, também me afeta. Durante a semana, trabalhamos para ajudar a equipa, mesmo que não joguemos. Tocou-nos tanto como se tivesse acontecido a outra pessoa. E acho que todas sentimos o mesmo e, como ela disse, foi isso que nos uniu ainda mais.

- Qual de vocês é mais parisiense?

Elisa De Almeida: É ela, claramente.

Noémie Fatier: Sou eu, é verdade.

- Elisa, gosta desse papel de "irmã mais velha" no plantel?

Elisa De Almeida: Na verdade, nem sei se tenho esse papel ou não.

Noémie Fatier: Não, eu acho que antes de tudo...

Elisa De Almeida: Não me preocupo muito com isso... Gosto de rir, gosto de...

Noémie Fatier: De rir connosco, sim!

Elisa De Almeida: Sim, gosto de rir com toda a gente no balneário. Agora, "irmã mais velha"... Sinto-me com quarenta anos, é estranho! Mas não, não me preocupo com ser ou não uma das líderes. É tudo natural, por isso sou eu mesma.

- Noémie, numa entrevista disse que a Sakina Karchaoui era uma das suas referências. Treina -todos os dias com ela e com outras jogadoras como a Elisa, que estão na seleção francesa. Como é viver isso?

Noémie Fatier: Para mim, é incrível. Quando era pequena, via-as na televisão e elas nem sabiam quem eu era. Agora estar ao lado delas deixa-me muito feliz. Era um dos meus objetivos. Se queria estar aqui, era para estar com elas. A Sakina, como era lateral, era a jogadora que eu seguia. São todas exemplos para nós. Às vezes não jogo, mas gosto de rever os jogos para analisar as jogadas que fazem bem, para tentar reproduzir ou inspirar-me nelas.

- E você, Elisa, sente nos treinos essa admiração no início da época, antes de se dissipar com o tempo?

Elisa De Almeida: Admiração, não diria. Mas nota-se quando estão um pouco tímidas, porque já as conhecemos das sub-19, sabemos como são. E quando sobem para as profissionais, ficam mais reservadas. Mas cabe-nos a nós pô-las à vontade logo de início. Não sei se é admiração ou timidez. Em algumas, talvez seja um pouco dos dois, mas não ligo muito a isso.

- Vê-se um pouco nelas, no que viveu no início da sua carreira?

Elisa De Almeida: Sim, porque quando comecei no Juvisy, foi igual. Jogava com a Gaëtane (Thiney), que era a referência do futebol feminino. Quando cheguei ao grupo profissional era um bebé, e pensava que eram jogadoras que eu via na televisão. Mesmo que fosse menos mediático na altura. Não as via muito, mas eram nomes que conhecia. Por isso, quando cheguei junto delas, claro que havia admiração. E até contra outras equipas... A primeira vez contra o Lyon, com a Wendie Renard, Amel Majri... São nomes marcantes. Por isso revejo-me um pouco no que ela diz.

- Noémie, a carreira da Elisa faz sonhar?

Noémie Fatier: Sim, é um bom exemplo. Joga na seleção francesa, está num dos melhores clubes de França.

- O que é que uma trouxe à outra, concretamente? Diziam que era mútuo.

Noémie Fatier: Acho que a Elisa deu-me mais experiência, tanto no grupo como em campo. Depois eu...

Elisa De Almeida: (a sorrir) Eu volto a falar da leveza delas. Arriscam em situações em que nós, com a experiência, já não arriscamos. Mas quando tentam, resulta. Por isso, também nos faz pensar: 'Ok, nós também podemos tentar.' Acho mesmo que aprendemos umas com as outras.

- Elisa, como avalia a evolução da Noémie esta época?

Elisa De Almeida: Sinceramente, evolução muito boa. Eu até lhe pergunto muitas vezes se prefere jogar a central ou a lateral, porque eu prefiro quando ela joga a lateral. Digo mesmo! Mas está ótimo. Acho que, para mim, ela ganhou muita confiança. Quando joga connosco, sente-se muito mais confiante do que no ano passado, quando subia de vez em quando. Agora, estando no grupo profissional todos os dias, ajudou-a a ganhar experiência e confiança em si mesma. E tem tudo para continuar a confiar. Espero que continue assim. Para mim, é um prazer estar na mesma equipa que ela.

- Vi que ontem ganharam no treino...

Elisa De Almeida: Exatamente. Hoje perdemos, mas pronto... Estávamos noutra equipa, foi a outra equipa que nos fez perder.

Noémie Fatier: Perdemos, mas elas fizeram batota!

- Têm vários títulos para disputar neste final de época: o campeonato, a Taça de França. Como é que o grupo lida com isso, ainda por cima com tantas jovens sem tanta experiência nestes grandes momentos?

Elisa De Almeida: Lidamos normalmente. Para nós, as mais experientes, os finais de época com play-offs e Taça de França, desde que existem, estamos sempre presentes. Por isso, para mim, é um final de época normal, não há pressão extra. É só mais uma oportunidade para conquistar títulos.

Noémie Fatier: Eu não sinto mais pressão por isso. É importante ganhar, claro. Mas se jogar, vou dar o meu melhor para ajudar a equipa. Não me pressiono por causa disso. Também não há pressão na equipa. São apenas jogos.

Elisa De Almeida: É só futebol.

- E você, Noémie, fazer parte de um projeto de clube tão ambicioso, que aposta nos jovens, imagino que seja tranquilizador para o futuro?

Noémie Fatier: Sim. Podemos estar com as profissionais, mas também jogar nos sub-19, como aconteceu na meia-final da Taça Nike sub-18. E acho isso importante porque ganhamos experiência com as mais velhas, mas também jogamos com as mais novas e transmitimos o que aprendemos. Quando descemos, temos um pouco o papel que as "mais antigas" têm connosco. E isso traz algo extra ao grupo. Quando descemos, como no jogo contra o Lyon, em termos de espírito de equipa, mesmo sofrendo golos, não há pânico. Está tudo controlado, toda a gente confia em toda a gente. E vai correr bem.

- Tem dezassete anos, ainda pode jogar a final da Taça Nike sub-18. Já sabe que final vais disputar?

Noémie Fatier: Não sei, mas tenho a certeza de uma coisa: seja qual for o jogo, vou dar tudo para ganhar.

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